Um eminente pedagogo que viria a deixar um rasto de esperança e compreensão, também, através do seu pioneiro método da reforma educacional, na vida de muitos que apenas conheciam ignorância, abandono, incompreensão e insegurança. Para muitos, Pestalozzi, foi e é o pedagogo do Amor.
Nasce em Zurique, na Suíça, no dia 12 de Janeiro de 1746.
Para o mundo era mais uma vida física mas Deus orientava, para planos Maiores, esta existência de 81 primaveras, uma vez que desencarnou em 17 de Fevereiro de 1827, em Brugg.
Cresceu ao lado da sua Mãe, Suzana e de Babeli, como lhe chamavam carinhosamente, considerando-a como membro da família.
Babeli, teve um papel fulcral no crescimento de Pestalozzi, juntamente com a Mãe, deste último, também, pelo fato, do Pai de Heinrich ter desencarnado quando ele ainda tinha cerca de cinco anos.
Pestalozzi, conheceu o preconceito social e persistiu muito para que as suas ideias fossem avante, numa sociedade dividida entre ricos, pobres, nobres e plebeus.
Johann Heinrich frequentou a escola primária, igual a todas as outras do seu tempo em que o professor inspirava mais o medo do que a simpatia.
Era colocado de parte pelos colegas, por ser considerado alheado, diferente nos seus pensamentos.
Não gostava da escola. Mas interessava-se pelo saber.
A sua vida académica continuou num colégio e, depois, num instituto superior. Preparavam-no, assim, para o pastorado evangélico.
Embora dotado de uma formação religiosa, não sentiu vocação para o ministério sacerdotal e resolveu dedicar-se à agricultura, tanto pela sua viva atração pela natureza, como pela influência moral e religiosa que sobre ele exercera o avô, André, pastor evangélico de uma aldeia nos arredores de Zurique.
Considerava-se cristão, sem defender qualquer religião.
Mais à frente iniciou o curso de direito.
Célebres e influentes professores marcaram aquela época no “Collegium Carolinum” e inspiraram, nos alunos, o ideal de liberdade, igualdade e fraternidade. Os professores incentivavam os alunos a não se apegarem às riquezas materiais, ao luxo e às facilidades da vida, indo em busca dos prazeres do coração e da mente, da simplicidade de costumes, da justiça e da verdade. Juntamente a esses professores, Heinrich, que, habitualmente, não demonstrava grande interesse na escola, estava a destacar-se pelo entusiasmo e rápida evolução na aprendizagem e rendimento.
O iluminismo, nesta altura, espalhava-se pela Europa e as escolas superiores da Suíça acompanhavam as ideias recém chegadas.
Após a leitura de “Emílio”, de Rousseau, Pestalozzi foi inspirado pelo movimento naturalista e tornou-se um revolucionário, juntando-se aos que criticavam a situação política do país.
Já na Universidade de Zurique associa-se ao poeta Lavater num grupo de reformistas. Grande parte de sua juventude foi dedicada às lutas políticas mas, em 1781, com a morte de um amigo e político, abandonou o partido para dedicar-se à causa da educação.
“Pestalozzi, lia o “Emílio” de Rousseau com enorme emoção e empolgamento. Sentia-se invadido por estranhas sensações que não conseguiria explicar. Benfeitores Espirituais aproveitaram as sensações mnemónicas e auxiliaram o desabrochar dos pensamentos que vibravam no universo psíquico de seu inconsciente profundo. As ideias de Rousseau pareciam-lhe familiares, e o “Emílio” tornou-se o seu livro de cabeceira.
Desde então, Pestalozzi pôs-se a escrever com maior intensidade. As ideias fluíam em sua mente com facilidade, e diversos artigos foram publicados no periódico “Memorial”, onde um dos editores era Lavater.
O tempo decorreu... Pestalozzi prosseguiu ao longo do tempo, escrevendo num diário. Anotava, aí, as ideias, pensamentos que lhe iam surgindo. Alguns deles, podemos encontrar em obras de que é autor.
Em 1769, consorciou-se com Anna Schulthess e em 1770 nasce o seu filho Hans Jakob. Nome dado por Pestalozzi em homenagem a Jean-Jacques Rousseau.
Hans Jakob era uma criança frágil e doente. Talvez devido a essa situação, Pestalozzi tenha-se desdobrado, ao longo da vida, em favor das crianças mais problemáticas.
Sente, Pestalozzi, a dor da saudade pela partida do seu filho. Desencarna este com 31 anos.
Pestalozzi, mesmo com as argruras da vida, vai prosseguindo firme no desejo de ser útil e de aproveitar o método de ensino que o seu coração, ao longo dos anos, amadureceu.
Idealizava um novo conceito de pedagogia, alicerçada no Amor.
No Inverno de 1774, encontramos Pestalozzi andando pelas aldeias e estradas da região de Birrfeld, recolhendo crianças pobres e reunindo-as na sua própria casa.
A crise de 1770 atingira muitas empresas agrícolas da região, deixando muitos sem emprego e lançando muitas famílias à miséria.
Muitas crianças, abandonadas pela família, viviam a mendigar, outras, tornavam-se vagabundas, dadas à mentira e até ao roubo.
A visão daquelas crianças, que perambulavam pelas estradas, despertou em Pestalozzi o sonho antigo de trabalhar pela educação popular e pelas crianças sem recursos de subsistência.
Não obstante, as dificuldades financeiras, no lar de Pestalozzi, iniciaram-se...
Tão pobre como os meninos que agasalhava, reparte com eles o que mal lhe chegava para subsistir.
Pestalozzi observava todas aqueles crianças, necessitadas de tudo e continuava a idealizar uma instituição na qual unisse dois fatores primordiais à Educação: a instrução e o aprendizado de um ofício manual.
O objetivo de Pestalozzi era ajudar aquelas crianças na educação e na subsistência.
Ainda não tinha chegado o momento em que poderia colocar em prática as ideias que lhe surgiam como emergentes. Contudo, a sua persistência aliada aos bons propósitos que o seu coração nutria, davam aso a permanência e percepção dos Benfeitores amigos, na sua vida.
A invasão francesa da Suíça em 1798 revelou-lhe um caráter verdadeiramente heróico. Pestalozzi, envolvido num sobretudo, aproximou-se de dois meninos que tremiam de frio. Retirou seu agasalho e envolveu as crianças.
Cerca de 20 anos depois da experiência anterior é escolhido pelo governo e por ele ajudado para amparar as crianças vítimas do sucedido.
Cederam-lhe um convento abandonado em Stans, e suas energias foram direcionadas para a educação daquelas crianças.
O seu olhar refletia compaixão e amor, as suas mãos afagavam os cabelos dos meninos, e sua mente buscava uma solução, então, Pestalozzi viu-se envolvido por imenso raio de luz a clarear seus caminhos futuros.
Tornou-se mais que um professor, um verdadeiro pai para as crianças que ele cuidava, amava e educava.
Organizou grupos de trabalhos manuais, alfebatizou-os, levando as crianças a expressarem-se correctamente, a escreverem, e a terem noções de matemática, de ciências, prática agrícola e evangelização.
Anna, com o mesmo idealismo, supervisionava todas as actividades, orientando as crianças com muita dedicação e carinho.
À noite, Pestalozzi, contava a parábola do bom samaritano, exaltando as virtudes cristãs. Era a aula de evangelização e Pestalozzi baseava-se no Evangelho de Jesus.
É então que ele se consagra à tarefa para que sempre manifestara a mais ardente inclinação.
Instalado no edifício em Stans (Suíça) funda, ali, o primeiro instituto com o fim de acolher as crianças e jovens pobres e prepará-los para um futuro melhor de acordo com os seus ideais. Feliz, prossegue, no tempo em que a educação não era acessível a todos.
Pestalozzi, defendia a diversidade dos alunos bem como a sua individualidade. Segundo o seu método, a criança desenvolve-se de dentro para fora e o professor deve respeitar as fases de desenvolvimento pelas quais o aluno passa, ajudando-o, com Amor.
Porém, a cidade de Stans tinha sido devastada pelo exército francês
Em 1799, o edifício foi requisitado pelo invasor francês para instalar, ali, um hospital militar e as portas tiveram que encerrar.
A saúde de Pestalozzi ressentiu-se com a tristeza que o seu coração sentiu.
Segue para os Alpes e escreve a “Carta a Stans” ganhando nova energia.
Este interregno serviu como preparação para os desafios que aí vinham. Estamos sempre a ser preparados para o que se segue. Pestalozzi, elabora várias obras que, mais tarde, publicou, entre elas, encontramos “Leonardo e Gertrudes” que é considerada, por muitos, a primeira obra de Sociologia do mundo.
Surgem novas oportunidades e responsabilidade. É nomeado director adjunto de uma escola de crianças com dificuldades, em Burgdorf e, também aí, aplica o seu método de pedagogia, adquirindo experiência com os alunos, também através das dificuldades existentes.
Graças às suas características morais, cedem-lhe o Castelo e aí formou uma escola primária.
O êxito transpôs as fronteiras da Suíça.
Por razões políticas, não lhe foi permitido permanecer em Burgdorf mas…
Em 1805, mudou-se para Yverdon, no Lago Neuchâtel, e por vinte anos dedicou-se ao seu trabalho continuamente.
Ali era visitado por todos os que se interessavam pela educação.
Este instituto albergou não só crianças de Yverdon, Burgdorf mas muitas outras de vários países da Europa.
Os tempos eram divididos entre estudo em grupo e individual e momentos de lazer.
A cooperação e a fraternidade reinavam.
Mais à frente foi criado um instituto para meninas e outro para portadores de deficiências auditivas.
O seu método, admirado por muitos, adaptava-se consoante as necessidades de cada aluno, fossem dotados de alto ou baixo nível intelectual ou, até mesmo, de deficiências.
As crianças não eram comparadas umas com as outras.
Não havia testes. O acompanhamento era contínuo.
Não havia regras rígidas, castigos físicos. As ocorrências eram analisadas e as decisões tomadas caso a caso.
O ambiente era de família e os resultados tornavam-se, cada vez mais, positivamente impressionantes e evidentes.
As refeições era partilhadas entre professores e alunos. A disciplina que os professores incutiam era baseada na autoridade natural, no respeito mútuo e na amizade.
Nessa fase da sua vida, foi-lhe confiada, em determinado momento, a educação de Allan Kardec.
No plano físico, era apenas mais um aluno que chegava ao Instituto, mas, na esfera espiritual, os Espíritos que acompanhavam o menino Denizard (Allan Kardec) faziam a entrega solene do pequeno trabalhador de Jesus à equipa espiritual que assessorava Pestalozzi.
Mesmo sem perceber o que acontecia, Pestalozzi sentiu imensa alegria naquele momento, falando em francês, o que não era seu hábito.
O menino Denizard conviveu cerca de sete anos com aquele a quem os próprios alunos chamavam de “Pai Pestalozzi”.
O lema: Trabalho, Solidariedade e Tolerância seria adaptado pelo Codificador a partir da tríade de Pestalozzi, emérito educador, que afirmava que o êxito da educação era a consequência de três elementos básicos: Trabalho, Solidariedade e Perseverança.
Uma nova educação baseada nos ensinamentos do Mestre de Nazaré surgia personificada em Pestalozzi que indicava a educação pelo Amor do homem integral.
Léon Denis, corroborou nesta direção, deixando o seguinte roteiro, na sua obra “Depois da Morte”:
“É através da educação que as gerações se transformam e se aperfeiçoam.” e Pestalozzi deixou-nos estas palavras: “A moral é o fim supremo da educação.”
Que a educação se inicie nos nossos corações para que, naturalmente, se exteriorize, perante a Humanidade.
Ana Queiroz
Fontes utilizadas:
“Pestalozzi”, Walter Oliveira Alves;
“Breve história de Pestalozzi” Wallace Leal Rodrigues;
“Pestalozzi, Educação e Ética”, Dora Incontri;
“Educação Espírita”, Heloísa Pires;
“Depois da Morte”, Léon Denis.
