"André Luiz, enquanto autor espiritual fez-nos chegar a sua obra através da mediunidade de Chico Xavier e de Waldo Vieira.
A
sua principal colecção de livros, intitulada "A Vida no Mundo
Espiritual", conta com treze volumes, os quais encerram profundos
ensinamentos, em complemento ao estudo essencial das obras básicas da
Doutrina Espírita.
Nessa
colecção é possível estudar diversas temáticas, entre elas a
mediunidade, a obsessão, os fluidos, a justiça, o sexo, a vida
além-túmulo, a lei de causa e efeito, a reencarnação, entre inúmeras
outras, visando, todas elas, alargar o nosso espectro de conhecimento e
de compreensão dos princípios que o Espiritismo preconiza.
Sem
dúvida, "Nosso Lar", a primeira obra deste autor espiritual constituiu
um marco no que à publicação de obras subsidiárias diz respeito, visto
ter sido a primeira vez que o público em geral teve acesso a informações
precisas e detalhadas acerca do Mundo Espiritual e da sua relação com o
Plano Físico.
É
o benfeitor Emmanuel que, nessa mesma obra, elabora o prefácio e
apresenta o «Novo Amigo», aquele que traz até nós um relato minucioso,
enriquecedor e extraordinário de uma parte do seu percurso enquanto
espírito.
André
Luiz começa por descrever-nos o seu retorno à Pátria Espiritual, após
uma das suas encarnações, na qual tinha sido um médico brasileiro bem
sucedido do ponto de vista intelectual e material.
Porém,
André Luiz, não quis alimentar a curiosidade que ainda aguça a mente de
muitos, mesmo no seio do movimento espírita e, por isso, optando por
recorrer a um pseudónimo, fez do anonimato a melhor forma de salientar,
acima de tudo, a mensagem. Desta forma, partilhou
muitas das lições que aprendeu no seu percurso de refazimento
espiritual, após uma fase da qual o próprio não se orgulha, e após
compreender o estado em que se encontrava, bem como a premência da
transformação moral que ainda o aguardava.
Humildemente,
André Luiz partilhou connosco que o facto de termos uma vida
materialmente "perfeita", com um bom emprego, uma família, uma habitação
com todo o conforto e muitas outras regalias e benefícios materiais,
não significa garantirmos a tranquilidade da nossa consciência, uma vez
que esta depende da forma como conduzimos as nossas vidas, isto é, do
uso que damos ao nosso livre-arbítrio, mas também da dedicação ao Bem.
Por
isso mesmo, e apesar de André Luiz ser portador de uma inteligência
desenvolvida, aportou ao Plano Espiritual numa condição precária em
termos morais, como consequência das decisões que foi tomando durante a
sua existência física enquanto médico.
Ele
tinha consciência de que já não se encontrava entre os encarnados,
contudo, tinha sensações que não sabia explicar, estando envolvido numa
paisagem pesada e acompanhado de outros espíritos em desequilíbrio.
Muitos
foram aqueles que, no Plano Espiritual, apelidaram André Luiz de
«criminoso» e «suicida», pelos excessos que ele tinha cometido durante a
sua existência física precedente. Porém, André agia sem compreender
aquelas acusações, por estar fechado na perspectiva materialista que
ainda acalentava. Na verdade, estava em causa o desvio face às leis
divinas, leis essas que, segundo a Espiritualidade Superior estão
inscritas na nossa consciência ("O Livro dos Espíritos", Allan Kardec,
questão 621).
Assim
se manteve durante oito anos. Nesse período de tempo, procurou o seu
passado e tentou fugir de si próprio, da realidade e das escolhas que
antes tinha feito, manteve o orgulho que nutria na Terra... Todavia, o
sofrimento moral de que padecia, levou-o a colocar questões filosóficas
relacionadas com o ser, com o destino e com a religião... Até que um
dia, mergulhado em profundo cansaço, abriu o seu coração ao Alto, e
emocionado, orou, suplicando amparo, de forma sentida e sincera.
Foi
então que, relegando ao amor-próprio e ao orgulho, tornou o seu coração
receptivo ao Amparo que esteve ao seu lado durante esses oito anos.
Finalmente, André Luiz, estava disposto a aceitar ajuda, tendo a
humildade de reconhecer essa necessidade. Naquele
momento sublime, Clarêncio, um benfeitor espiritual pôde, finalmente,
auxiliá-lo e acolhê-lo na Colónia Espiritual Nosso Lar.
A
partir daí, André Luiz trilha um novo caminho, baseado em novos
alicerces para recompor-se espiritualmente, passando a nortear-se pelo
interesse na aprendizagem, pela oração, pelo reconhecimento dos seus
erros e pelo trabalho sério e constante na sua transformação íntima,
compreendendo a verdadeira meta que todos os espíritos devem alcançar: a
perfeição.
Assim,
em 1944 ficámos a conhecer um Espírito que estava disposto a partilhar o
seu exemplo com a humanidade, mas também os ensinamentos que ele
próprio foi adquirindo, demonstrando o quão relevante são as constantes
bênçãos e misericórdia que recebemos do Alto, bem como o Amparo que nos é
incessantemente estendido.
Para
além das treze obras da colecção acima indicada, André Luiz é também o
autor de várias mensagens edificantes. Alguns títulos poderão ser mais
familiares no meio espírita, nomeadamente, "Agenda Cristã", "Conduta
Espírita" ou "Opinião Espírita", mas existem muitos outros livros menos
divulgados que contam com a colaboração deste nosso «novo amigo», como
por exemplo: "Sinal Verde", "A Verdade Responde", "Estude e Viva",
"Respostas da Vida", entre outros.
Lendo,
relendo e reflectindo em torno das obras e das mensagens da autoria de
André Luiz, podemos absorver muitos conteúdos que irão aportar bastante à
nossa compreensão da Vida na sua mais vasta acepção, contudo, nunca
esqueçamos as consequências morais que podemos retirar de todo e
qualquer ensinamento edificante.
O
que realmente importa e que, de resto, está implícito em todo o legado
deste Espírito, é o facto de podermos orientar todos estes ensinamentos
para um objectivo claro e conciso: o nosso progresso moral e intelectual
enquanto espíritos imortais.
Como
refere André Luiz em "Nosso Lar": “Oh! Amigos da Terra! Quantos de vós
podereis evitar o caminho da amargura com o preparo dos campos
interiores do coração? Acendei vossas luzes antes de atravessar a grande
sombra. Buscai a verdade, antes que a verdade vos surpreenda. Suai
agora para não chorardes depois.”
Aprendamos
com a Doutrina Espírita, mas também com os inúmeros exemplos credíveis
que chegam até nós, ajudando-nos a reflectir e a sentir cada vez mais e
melhor a bendita Doutrina que nos consola e que nos esclarece."

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