domingo, 15 de julho de 2018

ANDRÉ LUIZ





"André Luiz, enquanto autor espiritual fez-nos chegar a sua obra através da mediunidade de Chico Xavier e de Waldo Vieira. 

A sua principal colecção de livros, intitulada "A Vida no Mundo Espiritual", conta com treze volumes, os quais encerram profundos ensinamentos, em complemento ao estudo essencial das obras básicas da Doutrina Espírita.

Nessa colecção é possível estudar diversas temáticas, entre elas a mediunidade, a obsessão, os fluidos, a justiça, o sexo, a vida além-túmulo, a lei de causa e efeito, a reencarnação, entre inúmeras outras, visando, todas elas, alargar o nosso espectro de conhecimento e de compreensão dos princípios que o Espiritismo preconiza.

Sem dúvida, "Nosso Lar", a primeira obra deste autor espiritual constituiu um marco no que à publicação de obras subsidiárias diz respeito, visto ter sido a primeira vez que o público em geral teve acesso a informações precisas e detalhadas acerca do Mundo Espiritual e da sua relação com o Plano Físico.

É o benfeitor Emmanuel que, nessa mesma obra, elabora o prefácio e apresenta o «Novo Amigo», aquele que traz até nós um relato minucioso, enriquecedor e extraordinário de uma parte do seu percurso enquanto espírito. 

André Luiz começa por descrever-nos o seu retorno à Pátria Espiritual, após uma das suas encarnações, na qual tinha sido um médico brasileiro bem sucedido do ponto de vista intelectual e material.

Porém, André Luiz, não quis alimentar a curiosidade que ainda aguça a mente de muitos, mesmo no seio do movimento espírita e, por isso, optando por recorrer a um pseudónimo, fez do anonimato a melhor forma de salientar, acima de tudo, a mensagem. Desta forma, partilhou muitas das lições que aprendeu no seu percurso de refazimento espiritual, após uma fase da qual o próprio não se orgulha, e após compreender o estado em que se encontrava, bem como a premência da transformação moral que ainda o aguardava. 

Humildemente, André Luiz partilhou connosco que o facto de termos uma vida materialmente "perfeita", com um bom emprego, uma família, uma habitação com todo o conforto e muitas outras regalias e benefícios materiais, não significa garantirmos a tranquilidade da nossa consciência, uma vez que esta depende da forma como conduzimos as nossas vidas, isto é, do uso que damos ao nosso livre-arbítrio, mas também da dedicação ao Bem.

Por isso mesmo, e apesar de André Luiz ser portador de uma inteligência desenvolvida, aportou ao Plano Espiritual numa condição precária em termos morais, como consequência das decisões que foi tomando durante a sua existência física enquanto médico. 

Ele tinha consciência de que já não se encontrava entre os encarnados, contudo, tinha sensações que não sabia explicar, estando envolvido numa paisagem pesada e acompanhado de outros espíritos em desequilíbrio.

Muitos foram aqueles que, no Plano Espiritual, apelidaram André Luiz de «criminoso» e «suicida», pelos excessos que ele tinha cometido durante a sua existência física precedente. Porém, André agia sem compreender aquelas acusações, por estar fechado na perspectiva materialista que ainda acalentava. Na verdade, estava em causa o desvio face às leis divinas, leis essas que, segundo a Espiritualidade Superior estão inscritas na nossa consciência ("O Livro dos Espíritos", Allan Kardec, questão 621).

Assim se manteve durante oito anos. Nesse período de tempo, procurou o seu passado e tentou fugir de si próprio, da realidade e das escolhas que antes tinha feito, manteve o orgulho que nutria na Terra... Todavia, o sofrimento moral de que padecia, levou-o a colocar questões filosóficas relacionadas com o ser, com o destino e com a religião... Até que um dia, mergulhado em profundo cansaço, abriu o seu coração ao Alto, e emocionado, orou, suplicando amparo, de forma sentida e sincera.

Foi então que, relegando ao amor-próprio e ao orgulho, tornou o seu coração receptivo ao Amparo que esteve ao seu lado durante esses oito anos. Finalmente, André Luiz, estava disposto a aceitar ajuda, tendo a humildade de reconhecer essa necessidade. Naquele momento sublime, Clarêncio, um benfeitor espiritual pôde, finalmente, auxiliá-lo e acolhê-lo na Colónia Espiritual Nosso Lar. 

A partir daí, André Luiz trilha um novo caminho, baseado em novos alicerces para recompor-se espiritualmente, passando a nortear-se pelo interesse na aprendizagem, pela oração, pelo reconhecimento dos seus erros e pelo trabalho sério e constante na sua transformação íntima, compreendendo a verdadeira meta que todos os espíritos devem alcançar: a perfeição.

Assim, em 1944 ficámos a conhecer um Espírito que estava disposto a partilhar o seu exemplo com a humanidade, mas também os ensinamentos que ele próprio foi adquirindo, demonstrando o quão relevante são as constantes bênçãos e misericórdia que recebemos do Alto, bem como o Amparo que nos é incessantemente estendido.

Para além das treze obras da colecção acima indicada, André Luiz é também o autor de várias mensagens edificantes. Alguns títulos poderão ser mais familiares no meio espírita, nomeadamente, "Agenda Cristã", "Conduta Espírita" ou "Opinião Espírita", mas existem muitos outros livros menos divulgados que contam com a colaboração deste nosso «novo amigo», como por exemplo: "Sinal Verde", "A Verdade Responde", "Estude e Viva", "Respostas da Vida", entre outros.

Lendo, relendo e reflectindo em torno das obras e das mensagens da autoria de André Luiz, podemos absorver muitos conteúdos que irão aportar bastante à nossa compreensão da Vida na sua mais vasta acepção, contudo, nunca esqueçamos as consequências morais que podemos retirar de todo e qualquer ensinamento edificante. 

O que realmente importa e que, de resto, está implícito em todo o legado deste Espírito, é o facto de podermos orientar todos estes ensinamentos para um objectivo claro e conciso: o nosso progresso moral e intelectual enquanto espíritos imortais. 

Como refere André Luiz em "Nosso Lar": “Oh! Amigos da Terra! Quantos de vós podereis evitar o caminho da amargura com o preparo dos campos interiores do coração? Acendei vossas luzes antes de atravessar a grande sombra. Buscai a verdade, antes que a verdade vos surpreenda. Suai agora para não chorardes depois.”

Aprendamos com a Doutrina Espírita, mas também com os inúmeros exemplos credíveis que chegam até nós, ajudando-nos a reflectir e a sentir cada vez mais e melhor a bendita Doutrina que nos consola e que nos esclarece."

Maria Helena A.​

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